O tempo e a imaginação




Se por um lado Caetano Veloso, anos atrás cantou que o tempo é o senhor do destino, o que constantemente temos ouvido nos dias de hoje, é que o tempo está em falta.

Estaria faltando o senhor do destino?

O que estamos fazendo com o nosso tempo? Será que ele é nosso?

De tanta pressa e desespero muitas vezes acabamos por achar que o tempo é nosso inimigo e que, por essa razão, constantemente precisamos estar brigando com ele.

O tempo nunca foi inimigo do homem, até porque ele sempre esteve ai para ser desfrutado, o problema talvez tenha se iniciado com a utilização errada da afirmativa “time is money”.

Time is not money. Time is life. Time is time, e pronto.

O que nos sufoca não é a falta de tempo para essa ou aquela coisa, mas sim a forma como permitimos que a imaginação somada às pressões externas, nos perturbe a ponto de muitas vezes nos encontrarmos sem a noção de nossas próprias prioridades.

Há poucos dias ouvi uma expressão que faço questão de repassar.

Talvez você a considere simples e até mesmo ridícula, mas te garanto que é dentro daquilo que é simples que se encontram as raízes de nossas preocupações. Raízes quando conhecidas e desvendadas minimizam os exageros de nossa imaginação.

A expressão é: “a coisa mais importante é colocar a coisa mais importante no lugar mais importante”.

Parece simples?

Então tente colocar isso em prática. Observe o quanto que na maioria de nossos furacões diários gastamos muito de nossos preciosos tempo e energia, cuidando de questões secundárias ou até mesmo desnecessárias.

O tempo é de Deus e precisa ser aproveitado por todos os seus ângulos. Já a imaginação, por sempre nos colocar diante de possibilidades, algumas delas altamente desconhecidas, é a responsável pelas incertezas e angústias que tendem a nos desestabilizar.

Dentro dessa perspectiva, tome cuidado para não confundir imaginação com criatividade.

A criatividade está em se utilizar as ferramentas do conhecimento formal e informal, em prol da solução, ou até transformação das situações que constantemente tentam nos abater, enquanto que a mera imaginação tende a nos colocar inertes diante das menores surpresas.

Somos criativos quando nos desnudamos das amarras da imaginação.

Certa vez ouvi de Rubem Alves que, quando aniversariamos, não fazemos anos e sim os desfazemos. Sei que fiz quarenta e oito anos, mas não sei quantos ainda farei.

Só sei, e a todos recomendo, que eles precisam ser bem feitos, ou ao menos bem cuidados, sempre se buscando colocar a coisa mais importante naquele lugar.

Pense um pouco. Que tal refazer a tua lista de prioridades, e se possível, hoje.

Afinal de contas, o tempo é a nosso favor, mas, a exemplo da água, não está ai para ser desperdiçado.